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sábado, 4 de março de 2023

O maravilhoso mundo das marcas: Phebo

Uma viagem na história das primeiras perfumarias do Brasil, que, na senda lenta e atravancada da industrialização do país, foram fundadas por volta de 1850.

O sabonete Phebo surgiu em Belém do Pará, em 1930, apogeu do desenvolvimento da indústria de transformação no Brasil, e ainda guarda suas características quase artesanais de fabricação, que dá o ar de ser cada sabonete fabricado uma peça única. Dono de um marcante aroma suave, percebido em suas singulares essências, que tornam o ato de tomar banho uma experiência prazerosa.

Fachada da fábrica da Phebo, em Belém do Pará – 1950’s

Essa história começa em 1924, quando a família Santiago, portugueses provenientes da cidade de Macinhata do Vouga e proprietários da Fábrica de Fumos Minerva LTDA, fundaram na capital paraense, na Rua 28 de Setembro, N° 194, a A.L Silva LTDA.

O motivo era o de diversificar os negócios da família, sendo a produção de chapéus o foco principal. Entretanto, àquela época já caía em desuso este produto. E a A. L. Silva recebera, ainda na década de 1930, como pagamento de uma dívida, a Perfumaria Lusitana, o que levou os sócios a adentrar no ramo perfumaria, sendo a loção Estrela o primeiro artigo.

A empresa fabricava uma variedade de produtos ligados a limpeza e a higiene pessoal: loções para cabelos, pasta dental, água dentifrícia para melhorar o hálito bucal e sabonetes, que se destacou entre as categorias, dando condições de surgirem o sabonete damasco, sabonete londrino, sabonete favorito. Logo, sabonetes passou a ser a categoria-chefe.

Foi preciso, no entanto, vencer a concorrência dos sabonetes ingleses, que eram importados pelos comerciantes de Belém. Se baseou a família Santiago no sabonete inglês “Pears Soap” para lançar o seu “London Otto Rosa”, cuja fragrância marcante até hoje divide opiniões. O Pau-Rosa seria sua matéria prima principal. Na sequência, o produto passou a se chamar “Londres Odor de Rosas”.

Por já existir no mercado marca registrada com esse nome, o senhor Antônio Santiago sugeriu o nome Phebo, em analogia ao deus do Sol na mitologia grega. O “Phebo Odor de Rosas”, então, se popularizou e se tornou o primeiro produto de extremo sucesso produzido pela companhia A. L. Silva Cia Ltda.

Transcrevendo, com adaptação, da fonte de pesquisa: Nos primeiros anos, o sabonete Phebo utilizava um tambor de 100 litros em sua produção. Esta era feita de maneira artesanal, os Santiago fabricavam o sabonete em casa, em um fogão a lenha. 

Produção de sabonete na Inglaterra nos anos 1930.

Naquele tempo, demorava cerca de seis meses para ficar pronto o produto. O sistema de secagem exigia um longo período na estufa para ficar totalmente seco, caso contrário secava-se por fora, mas o miolo ficava mole. E o sabonete era dirigido a uma classe social mais alta, sendo mais caro que os sabonetes populares.

Anúncio da década de 1930 do sabonete inglês concorrente do Phebo.

Eram tempos em que se julgava o produto importado algo melhor do que o nacional. O que abriu o caminho para a consagração do sabonete Phebo no mercado local e nacional foi o fato de as importações do sabonete inglês terem se tornado mais restritas. A elite local adotou o sabonete Phebo como substituto do inglês “Pears Soap”.

A logística, no entanto, se tornou uma dificuldade. O problema estava em enviar produtos para os grandes centros consumidores, os quais ficavam no Sul do país. Na época, a via de transportes mais utilizada era a marítima. Muitos eram enviados em sistema de consignação, ocorrendo o risco de serem devolvidos. “O primeiro grande pedido, 6 dúzias de sabonetes Phebo, foi feito pela Farmácia J. G. de Araújo de Manaus, em 1932. Um ano depois, o Mappin Stores de São Paulo comprou 25 dúzias e se tornava o principal cliente”.

A Perfumaria Phebo só existiria juridicamente em 1936, antes a A.L usava somente como nome fantasia. Em 1937, outro grande passo foi dado com a aquisição das Perfumarias Salim Salles, que possuía relevante estrutura como oficinas para estamparia em metais, fabricação de latas e obras em folha de flandres, tipografia, encadernação e caixas de papelão, além das aperfeiçoadas oficinas de produção da saboaria, perfumes e cosméticos diversos, e cuja aquisição mostrou o que se tornou marca para a Phebo: independência de fornecedores, devido à sua localização geográfica.

Por volta de 1950, passadas as dificuldades da Segunda Guerra Mundial, a companhia criou outro produto que se tornaria um referencial da própria: a “Seiva de Alfazema da Phebo”. O senhor Mário Santiago viajou para a França em busca de essências, a fim de compor o produto. E chegou a uma fragrância leve e suave. No início, a seiva de alfazema era comercializada em garrafas de meio litro. A empresa tinha também uma linha de produtos chamada “madeira da Amazônia” que se tornou muito bem-sucedida.

1961, a Phebo já era marca bem conhecida. Para ganhar competitividade, inaugurou filial em São Paulo. A excelente administração de Mário Santiago conferiu a empresa posições importantes no mercado brasileiro, tendo sempre o Phebo Odor de Rosas como carro-chefe, sendo responsável por vender sozinho quase 6 milhões de unidades em 1966. Em 1971 iniciou-se a construção da fábrica de Feira de Santana, na Bahia.

E em 1980, a empresa conquistou um dos maiores prêmios da propaganda mundial: o “Leão de Ouro” de Cannes, na França. O comercial da “Seiva de Alfazema” produzido por Vander Cairo Levi rendeu este título a Perfumarias Phebo S/A. A propaganda tinha a intenção de atingir o público mais jovem e nela aparecia uma mulher usando Seiva de Alfazema e uma menina tentando imitar a mãe.

A história da Phebo em vários comerciais de TV.

Os ciclos de administração familiar foram desgastando a empresa, que já havia vencido até a crise do petróleo na década de 1970, tendo sido considerada em 1976, a maior perfumaria do Brasil. Porém, em 1988, a Phebo foi vendida para a PROCTER & GAMBLE, tendo sido adquirido por terceiros suas plantas de fabricação, assim como a marca. Somente em 2004, a Casa Granado, que já era dona da fábrica de Belém, adquiriu a marca, diretamente da Sara Lee DE/ Household & Bodycare do Brasil Ltda, até os dias atuais responsável por manter a Phebo no mercado.

Embalagem 2023 do sabonete Phebo

Conforme a fonte de pesquisa, o artigo pesquisado conta com informações e iconografia da dissertação ”INDÚSTRIA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: a trajetória da perfumarias Phebo em Belém” de Marcílio Alves Chiacchio.

FONTES DE PESQUISA:

https://cariridasantigas.com.br/historias-da-vida-privada-a-historia-do-sabonete-phebo/

https://www.hehe.org.br/index.php/rabphe/article/view/573/421 (pdf)


O maravilhoso mundo das marcas: Nestlé no Brasil

Na pequena cidade de Vevey, na Suíça de 1866, após a realização de muitos experimentos em seu laboratório, o químico alemão Henri Nestlé desenvolveu um alimento inovador: a deliciosa farinha láctea. Um alimento infantil que até hoje é bastante consumido em todo o mundo. Iniciou-se um império alimentício presente na cabeça das pessoas quando o assunto é além de alimentos infantis: iogurtes, chocolates, sorvetes, produtos integrais, orgânicos e o famoso leite Ninho.

A chegada no Brasil

O ano: 1875, a Nestlé chega ao Brasil, trazendo, e já fazendo acontecer, uma novidade em produto, cuja embalagem vinha com uma camponesa suíça segurando um balde, um delicioso leite condensado que cairia no gosto dos brasileiros, chamado Leite Moça. 

O produto hoje é usado em milhares de receitas da culinária mundial e se tornou o carro-chefe da fabricante. A distribuição no Brasil começou em 1916.

1876: a vez da Farinha Láctea chegar ao país. Um delicioso sabor e alto valor nutricional, especialmente para as crianças. Praticamente esgotou-se nas prateleiras dos supermercados as latas na época do lançamento. A aceitação do farináceo foi notável. Folhetos ilustrativos sobre ele foram criados.

Rotulo do Leite Moça de 2023

Em meados de 1921, na cidade de Araras, São Paulo, a Nestlé inaugurou sua primeira fábrica no Brasil. Focou-se na produção do leite condensado, que tinha uma procura cada vez maior. Em 1922, a sede da companhia se instalou na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1924, iniciou-se a produção da farinha Láctea em solo brasileiro. 1932: um novo e bem-sucedido produto chegava ao mercado: o achocolatado em pó Nescau. 1935, hora e vez da fabricação do creme de leite no Brasil. Produto versátil, presente em muitas receitas, obteve sucesso de demanda. 

1938, o Nescafé tornou bem fácil o preparo do café. Instantâneo, mantendo um sabor bastante agradável.

História da Nestlé no Youtube

Um marketing eficiente e muita inovação resultaram em aumento considerável nas vendas de todos os produtos Nestlé. Com isso, a companhia criou em 1942 seu SAC, canal de  comunicação com o consumidor. Em 1944, foi lançado no Brasil o leite em pó integral Ninho. E por volta de 1946, a segunda fábrica da Nestlé em Araraquara foi inaugurada.

Modernização nas instalações da fábrica e produtos como o Neston, saboroso cereal, e o leite em pó desnatado Molico surgiram nos anos 1950.

Em 1960, mais uma deliciosa novidade: Galak. O chocolate branco caiu nas graças do consumidor. E deu início a investimentos da companhia na linha de chocolates, que culminou, no final dos anos 1960, em campanhas que valorizavam muito bem sua linha. Como a de 1968, que com o slogan "É gostoso gostar do Prestígio" introduziu o sucesso que segue até os dias atuais: chocolate Prestígio. 

Anúncio de lançamento do Prestígio


Embalagem 2022 do Prestígio

A linha Maggi, lançada em 1962, que incluía quatro variedades de sopa, também fez enorme sucesso no Brasil.


Capa do livreto de receitas A sopa: Pequena história de um grande alimento

1968: Alimentos infantis Baby Nestlé.

O mais famoso chocolate da Nestlé, o Chokito, ganhou vida em 1971. O bordão "leite condensado, caramelizado com flocos crocantes e coberto com o delicioso chocolate Nestlé". A embalagem sobrevive, no melhor aspecto retrô. O lançamento causou reboliço entre crianças e adultos.

Embalagem do Chokito 2022


Anúncio: "Nestlé faz o melhor chocolate"

FONTE: Revista "Pateta nos jogos olímpicos", 1980, Editora Abril.

No restante da década de 1970, a Nestlé lançou sorvetes e iogurtes e houve a inauguração de duas modernas fábricas em São José do Rio Pardo (SP) e Ituiutaba (MG).

Já os anos 1980, muitos concorrentes surgiram, mas foram de ouro para a Nestlé. que, despejou no mercado várias modalidades de chocolates: Suflair, Lollo, Surpresa, Charge, Chandelle. A quinta fábrica da empresa, em Teófilo Otoni (MG), foi inaugurada e com ela o lançamento de uma linha de produtos integrais.

Os anos 1990 viram a Nestlé entrar no status “chegou para ficar”.

Nos 2000, houve, sim, lançamentos:  iogurte Grego é um deles, e os consolidados ganharam novas versões. Em 2016, a marca suíça de alimentícios comemorou 150 anos de existência no mundo e é uma das preferências dos consumidores. Império esse, que conta, hoje, com 335.000 colaboradores (2015) e uma receita de 91,43 bilhões de francos suíços (2018).

FONTE: https://www.ibnd.com.br (complementado com informações da publicação da Nestlé: "Relatório Nestlé na Sociedade", de 2015)

O maravilhoso mundo das marcas: DVD do filme Testemunha de acusação

A MGM DVD traz para você em DVD um clássico do cinema, de 1957, o filme: Testemunha de acusação.


Capa do DVD do filme “Testemunha de acusação” 

Baseado na obra literária de Agatha Cristie, originalmente publicado numa revista americana em janeiro de 1925, responsável por tornar mais relevante na América o nome da escritora de livros de mistérios, o que inspirou escritores e roteiristas a criarem tramas de tribunal com as mais instigantes reviravoltas em seu desfecho, se trata de uma fita de suspense, na qual um caso policial é destrinchado e o criminoso revelado ao seu final. No roteiro, o conto sofre muita adaptação cinematográfica, que Agatha Christie teria gostado bastante. Empolga se ver na tela cenas totalmente realizadas em estúdio, até mesmo o que seriam cenas externas.

Interpretado por Tyrone Power, em seu último filme, pois, viria a morrer de infarto no set de filmagens de seu longa seguinte, que vive o personagem menos interessante da trama, Leonard Vole; Charles Laughton, definitivamente a melhor atuação do longa, como o advogado Wilfrid Roberts, que destrincha o mistério; e por Marlene Dietrich, que encenou a também atriz Christine, esposa de Leonard Vole.

Wilfrid, um homem com sérios problemas de saúde, se recuperando de um ataque cardíaco, faz tudo o que é mal para sua higidez enquanto sua enfermeira finge que não sabe que ele está bebendo álcool. Uma das piscadelas morais que abrem espaço para a análise do público dentre outras que envolvem as demais personagens. Apesar de sua saúde abalada, o advogado não consegue deixar de trabalhar. Vê cair em suas mãos um caso realmente difícil.


O filme de suspense, que ousa fluir com certo ar de comédia, é repleto de cenas apoteóticas e de reviravoltas, nas quais o suspeito do crime muda. Em determinado momento, o advogado parece descartar a suspeita sobre o principal nome: Leonard Vole. No entanto, detalhes nas cenas fazem-no voltar o foco.

Um dos primeiros filmes a contar com uma forte campanha anti-spoiler, como pode ser visto no treiler promocional da época, com pessoas na fila de alguns cinemas tendo que “jurar solenemente não entregar o final para quem não assistiu o filme”, informação prestada pela fonte de pesquisa, e com um pedido gentil de manutenção de segredo estampado ao final da película.

Dentre as reflexões que a trama proporciona ao público estão percepções das escalas da justiça e em como muitas pessoas conseguem driblar o sistema, conseguindo safar-se dos crimes que cometeram. Uma execução que ocorre no tribunal causa dissonância com a vida real, quando contamos apenas com uma “justiça divina” para compensar absolvição não merecida. Na ficção, a punição pode vir em poucos minutos, numa atitude que nos leva a discutir um tema em pauta até hoje: o olhar das leis para a vingança e a justiça com as próprias mãos. (trecho tirado da fonte)

Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution)

Direção: Billy Wilder
Produtor: Arthur Hornblow Jr.
Roteiro: Billy Wilder, Harry Kurnitz (baseado no conto de Agatha Christie)
Elenco: Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton, Elsa Lanchester, John Williams, Henry Daniell, Ian Wolfe, Torin Thatcher, Norma Varden, Una O’Connor, Francis Compton, Philip Tonge, Ruta Lee, Eddie Baker, George Blagoi, George Bruggeman
Duração: 120 min.
Fotografia: Russell Harlan
Direção de Arte: Alexandre Trauner
Ano de produção: 1957
Pais de Produção: Estados Unidos
Formato de tela: Widescreen
Cor: P&B
Duração Aprox.: 116 miN.
Idioma: Inglês , Português
Legendas: Espanhol , Português

domingo, 13 de março de 2022

A volta do disco de vinil

O disco de vinil está de volta. A indústria alega que atendeu a vontade dos saudosistas, dos colecionadores e daqueles que afirmam que a qualidade sonora do artigo é melhor do que a das mídias digitais.

No entanto, não é de se esperar retrocesso – no sentido de voltar a um processo que foi obsoletado – da indústria com esses argumentos. É argumento mais coerente declarar que o potencial para pirataria que têm as mídias digitais tira o ganha pão dos fabricantes e dos artistas.

O importante mesmo é poder voltar aos tempos em que colocávamos um long play (LP) ou um compacto de vinil no prato da radiola nem sempre para ouvir música.

FONTE: https://gifer.com/

Ver o selo do invento americano de 1948 girando era um prazer à parte.

Tirar o vinil da capa e depois do plástico: outro.

Contemplar os encartes, acompanhar neles as letras das canções (huuum!).

Ouvir aqueles chuviscos que o toque da agulha nos sulcos empoeirados costumava gerar. 

Tomar choque elétrico ao manusear o braço do toca-disco (era ruim, mas, era bom!).

Ir para as festas carregando aquela pilha de LPs debaixo do braço, tomando aquele cuidado para não quebrar, arranhar ou empenar os discos.

O grande problema dos discos de vinil era o espaço demandado para guardar os volumes. Mas, a fita K-7 e o CD não resolveram isso a contento, quem fez isso, brilhantemente, foi o MP3.

Em uma mídia de armazenamento simples, como um pendrive de 1Gb, é possível guardar o conteúdo, na mesma qualidade de execução, de aproximadamente 25 álbuns.

No Youtube está sendo postado vídeos apresentando o acervo do Brechó dos Vítor de discos de vinil e capas. Abaixo os links dos vídeos publicados até aqui.

Vídeo 1

Vídeo 2

sábado, 12 de março de 2022

O revolucionário videocassete

Em 1971, a empresa japonesa Sony deu luz a um equipamento de videoteipe que executava conteúdos em vídeo armazenados em cartuchos, ao qual deu o nome de Umatic. Nasceu, então, o videocassete.

Mal sabia a Sony, que esse equipamento iria proporcionar uma revolução nos hábitos das pessoas que buscavam entretenimento indo ao cinema ou vendo televisão.

Assim como visionários tipo Bill Gates e Steve Jobs fizeram mais tarde com o computador, a Sony levou para dentro dos lares as salas de exibição de cinema e as de programação das emissoras de televisão.

Logo que o aparelho se popularizou, os primeiros a sentirem seu efeito foram os cinemas.

Em vez de irem à eles ver filmes, o público passou a ir às locadoras de fitas VHS ou Betamax para com seus cartões de locadora alugar fitas para ver em casa por um ou dois dias.

No início veriam muito depois de terem sido os filmes exibidos nos cinemas, assim como já era ver através das emissoras de TV, mas isso já prenunciava que no futuro estes seriam produzidos para serem apresentados diretamente em uma mídia de uso pessoal.

Depois foi a vez da televisão sentir o baque. No que se referia a películas cinematográficas, as sessões de cinema das emissoras perderam audiência para o videocassete em pouco tempo. A TV viu cifras caírem como o cinema viu bilheterias, pois, os patrocinadores migraram seus anúncios para o interior das mídias VHS ou para suas embalagens.

Mas, o pior para as TV não foi isso. Foi, sim, a perda do monopólio de horários e imposição de programação para o telespectador assistir, originada com o advento das fitas virgens.

O telespectador passou a poder ver um televisivo no horário em que era exibido, enquanto gravava a exibição de uma das emissoras concorrentes para ver noutro horário, podendo, ainda, avançar a fita quando as propagandas entrassem.

Programas que iam ao ar nas madrugadas viravam programação da tarde, graças à liberdade que o aparelho dava para programar gravações. O efeito zumbi aos poucos deixou de ser visto no aficcionado por televisão.

E se o público era obrigado a ver o que as emissoras programavam para ele ver, muitas vezes respeitando contratos de patrocinadores com intúito comercial a fim de vender produtos espúrios ou grupos políticos interessados em moldagem de opinião ou engenharia social, essa imposição caiu por terra, pois, em seus momentos de ócio em casa ele deixou de ser refém da frase "deixe eu ver o que tem na TV". Os telejornais perderam força no sentido de desinformar a massa.

As façanhas que inerentemente o videocassete – ou VCR – herdou ficaram para serem cumpridas por seus sucessores – videolaser, DVD, Blue-ray –, os quais não tiveram vida longa, mas, passaram o bastão para a atual plataforma de stream vídeo, que vem desempenhando preocupantemente, para alguns empresários e acionistas, a tarefa, jogando cada vez mais para a extinção as duas primeiras vítimas do videocassete: o cinema e a televisão.

Veja no Youtube a matéria em vídeo e conheça o acervo de VHS do Brechó dos Vítor:

Vídeo 1: Apresentação

Vídeo 2: Acervo Brechó dos Vítor

Vídeo 3: Matéria sobre videocassetes da Philco.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Estilo de vida a la brechó: independência de comportamento

Não seja apenas um tijolo no muro!

Que tal assumir a atitude de sempre adquirir produtos e serviços consultando apenas a si próprio, verificando as necessidades que possui ou os desejos que você mesmo concebeu para si? Escolher o estabelecimento onde quer consumir — preferencialmente onde você perceberá reciprocidade de benefícios, como o comércio da região onde mora — e idem a marca? Você decide; ninguém lhe dá pitaco!

Comprar uma roupa pelo fato de tê-la visto numa vitrine e gostado dela? Ou um disco por ter uma música te agradado ao ouvi-la? Ou um biscoito cujo aroma o assediou quando você passou em frente a uma padaria?

O adepto ao estilo de vida a la brechó não reverencia propaganda, moda, Mídia. Não se curva à impérios ou a "ways of life" (jeitos de viver) impostos. Não se deixa escravizar pelos marqueteiros de comportamento. Não permite ser transformado em marionete do sistema comercial ou do estado oculto que toma todas as decisões para os indivíduos.

Além de irreverente, é niilista, iconoclasta, arreligioso. Ele não ufana e sempre busca reciprocidade. Segue bem os lemas: "Se não cooperas comigo, não coopero contigo" e "faça você mesmo". E esse faça você mesmo inclui constituir as próprias crenças e a própria Ciência.

Por que seguir alguém no Twitter que não te segue também? Por que reagir à publicação de alguém no Facebook que não reage às suas? 

Para quê ter perfil em rede social se essas redes só dão visibilidade a você de acordo com o interesse delas? Às vezes, tudo o que você publica nessas redes parece incomodar, vão de encontro à opinião que elas trabalham, que são pagas para trabalhar.

Daí, te podam, te castram a liberdade de opinião, não deixam que outros a conheçam. E ainda fazem manobras para você pensar que a falta de visualização ou de visitação a um post seu se explica por ter você escolhido um tema impopular ou uma adesão malquista. Tipo te dizem: "reveja seus conceitos, consulte nossos templates".

Tem hora que o problema é que você pode ficar popular, influenciar pessoas e se dar muito bem tendo elas oferecido o palco sem que você tenha destinado à elas qualquer quantia. Por que não confiar em você e te dar a chance de as recompensar se isso se suceder, não é mesmo?

Para quê comprar o disco, o livro, a arte de alguém que não compra o seu trabalho? Para quê dar audiência a programas de televisão ou de rádio, revistas e sites que só querem a sua atenção aos anúncios que serão exibidos pra você? Veja quem te vê; ouça quem te ouve; visite quem te visita. Exija recíproca, via dupla!

Para quê clicar em links, dar page views? Na minha pesquisa, a maioria esmagadora dos conteúdos pós cliques são fúteis ou enganadores, mal intencionados, não acrescentam nada na vida de ninguém. Podem é danificar. E não há reciprocidade de quem é visitado se você solicitar o mesmo.

Para quê ir à eventos artísticos ou empresariais? Para quê fazer turismo ou cursos só porque interessadas em te explorar as indústrias, as elites burguesas e as oligarquias colocam em sua cabeça que você deveria? São os filhos ou os tutelados dessa gente que posam pra você transformar em famoso e rico ou mais rico.

Para quê ocupar o tempo com o dia a dia de uma agremiação esportiva? Pior: de uma, assim chamada, celebridade, de um reality show, telenovela ou qualquer outro televisivo? Para quê falar inglês ou ter um bom domínio do idioma pátrio? Por que ambicionar trabalhar em certas profissões valorizadas e se sentir inferior por operar em outras que desprestigiam?

O que muitas vezes, para pôr-lhe um cabresto ou obscuramente planificar o trabalho e a economia, o deep state escolheu pra você e você acha que foi o que apareceu ou o que você mesmo escolheu. 

Para quê votar em qualquer político que seja? Dar à eles mamatas para cuidarem dos interesses dos magnatas do Estabelecimento; pra te apavorar, adoecer e até matar usando o artifício de uma pandemia montada enquanto praticam corrupção de toda sorte; pra se achar no direito de te meter no front de batalha de uma guerra que visa ajustar os interesses do Capital ou da soberba de Estados ou de famílias poderosas.

Pra que consumir produto de uma empresa que não te traz benefício algum e que às vezes sequer te dá oportunidade de se empregar nela? Quando empregado, não te paga um salário justo ou não te permite ascender de cargo.

Você não é de fato melhor do que ninguém só porque segue as receitas de bolo que os canais de assédio desses grupos espalham para as pessoas inocentemente absorverem. 

Aliás, ninguém tem que ser melhor do que ninguém. A ideia de superioridade, de status quo privilegiado, foi idealizada pelos mesmos que já estão inseridos no tal status. E tudo que eles querem é que você almeje esse status, mas que jamais o alcance.

E fazem por onde isso acontecer. Inteiramente com a sua ajuda ao sujeitar-se aos mecanismos de idolatria, de comunicação, de obtenção de informação e entretetenimento e os de adesão, que você considera idôneo e não acha que espionam e manipulam você. Ou você os boicota ou é dominado por eles e entregue aos leões. Manter sonhos de pequeno burguês só os favorecem.

A indústria e os gestores de sociedades têm que rebolar muito pra pegar o adepto ao estilo de vida a la brechó com uso de seus estratagemas civilizatórios. Ele não é inocente, é literato (lê muito), não acredita na imprensa, tem gosto refinado e não se conforma em ser apenas um reles contribuinte.

Faz uso da moeda "te dou se você me der também". Sabe tirar proveito e exige a implantação do liberalismo no trabalho e na economia, além da intervenção mínima do Estado na sociedade.

Esse sujeito segue na risca a legislação que se aplica a ele. O Sistema se quiser calá-lo ou obrigá-lo a andar em sua linha tem que manobrar incriminação mediante artifícios ou acusações falsas.

As elites que portam famas e riquezas ou decidem quem será famoso e quem será rico não têm poder sobre esse sujeito, que sobretudo não é ambicioso e nem materialista. É ciente de que está no mundo para contemplar a existência, gozar de bem-estar e de que não tem que pagar preço algum pra ter ou fazer essas coisas. Principalmente para quem não é o responsável por tê-lo feito vir ao mundo. Há muito tempo que esse cara saiu do curral.

E aquilo que for artificial, ele só se interessa se vir alguma vantagem em aderir e mesmo assim, sem se deixar ser escravizado. Esse é o conceito de ser independente ao se comportar perante a sociedade.

terça-feira, 8 de março de 2022

Estilo de vida a la brechó: Mindfullness — A nova consciência

‎"Poucos são os que vivem no presente: a maioria se prepara para viver mais tarde." — Jonathan Swift

Qualquer que seja a época, o motivo de os seres vivos virem ao mundo material — ou se preferir: ao planeta Terra — é experimentá-lo, viver experiências de bem-estar do meio físico e psicológico só possíveis estando encarnado.

Para o ser humano, essas experiências de bem-estar são proporcionadas pelas interações que fazem entre si e com o meio-ambiente. 

As estamos realizando quando nos concentramos na respiração, quando meditamos, quando participando de algum evento social, praticando esporte ou aventura, viajando, comendo gostosuras, bebendo bebidas recreativas, orando, fazendo sexo.

Tudo isso com atenção plena (mindfullness) no momento em que a experimentação se dá.

Há, sim, quem o trabalho proporciona prazer. E de igual modo, quem se apraz ao gastar ou acumular dinheiro ou riquezas; quem ao acariciar animais ou plantas; quem procura contato com coisas antigas para desfrutar do sentimento de nostalgia.

É bom lembrar que nostalgia é diferente de saudade. Saudade é um sentimento negativo, deve ser evitado, uma vez que prende a pessoa ao passado, de forma a lhe deixar aflita devido à incapacidade de fazer voltar tal época. Nostalgia é uma força proporcionadora de bem-estar poderosa, que o indivíduo pode usar para, inclusive, moldar o seu presente.

A nova consciência exige que seja notado e admitido que só precisamos para ser feliz e saudável estar a sentir bem-estar. E tudo do que foi listado para se estabelecer esse estado de espírito está ao alcance de todos nós, sendo gratuíta a maioria dos itens.

Assimilar que procedimentos que não foram listados são necessários à essa condição é corromper as próprias chances de ser feliz e saudável e se pôr nas mãos de outros, permitindo que eles determinem como será a vida de quem lhe dá as rédeas.

E outro axioma dessa doutrina é viver inteiramente no presente, usufruindo de cada instante vivido e só lidando e crendo naquilo que está acontecendo. Quando vivemos no passado, perdemos o trem da história porque estamos com o foco no que não está acontecendo na realidade material, embora esteja na realidade que a memória constrói, mas, costuma-se tratar como recordação apenas e se entrar no status de angústia. Somos o que sentimos.

Um exemplo disso é quando tomamos conhecimento através de jornais, rádio ou televisão de um fato e damos total importância a ele. Ou seja: para nós, é um fato que não está acontecendo, a não ser que estejamos inseridos nele. E o que a imprensa informa, ainda que ao vivo, já é passado. Os jornais sempre reportam o que já aconteceu.

Verifique por você mesmo: até você pronunciar sobre algo que presencia, a parte pronunciada já aconteceu. Que nem é com a luz das estrelas. Quanto mais se tivermos que transmitir por meio de algum equipamento de transmissão ou, pior ainda, por meio impresso.

Certo dia, no parque, um amigo veio ao meu encontro desabafar.

— Eu quero sumir.— Ele disse, enquanto eu jogava comida para os patos.

— Fugir da rotina, quebrar as regras, ver as belezas do mundo, ficar sozinho.

— E o que te impede? — Perguntei voltando meu olhar a ele.

— Eu.

(Diálogo anônimo)

segunda-feira, 7 de março de 2022

Estilo de vida a la brechó: Medicina

“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”
(Hipócrates — pai da medicina)

No quintal de todo adepto ao estilo de vida a la brechó tem uma farmácia, a qual leva o nome de horta.

Se curar de doenças usando os elementos da natureza — como infusões de raízes e folhas de plantas; ingestão de minerais revertidos a pó; inalação ou aspiração de chás (pajelança) — era o procedimento padrão até aparecer a medicina, há mais de 2500 anos.

A indústria médica-hospitalar-farmacêutica veio substituir esses curandeirismos. No primeiro momento, sem qualquer acusação de ser apenas uma prática de exploração comercial de negócios e de criação de empregos e profissões.

Mas, quando o conhecimento de que os remédios alopáticos apenas aliviam sintomas ou quando realmente curam um órgão eles ocasionam problemas em outros se tornou popular, a busca pela homeopatia e pela medicina holística entrou em vigor.

A homeopatia consiste da adoção de elixires, cápsulas e substâncias in natura obtidos majoritariamente de plantas.

A medicina holística envolve submissão à frequências sonoras e à ressonâncias harmônicas, à aromas, à cores, ao contato com solo natural, massagens, banhos de mar, de sol e de lua, ioga, mesmerismo e outras práticas. Envolve também exercícios físicos, exercícios respiratórios, alongamentos, meditação.

sábado, 5 de março de 2022

Estilo de vida a la brechó: Alimentação

Como não poderia deixar de ser, o lema que adota o adepto ao estilo de vida a la brechó com relação à alimentação é o "descasque mais, desembale menos".

Kit hipertensão, conforme o site Diabetes self management

A comida e bebida industrializada é bastante corrompida para atender o mercadologismo na produção. Os mercadologistas pensam em tudo que se pode fazer para tornar a produção de um produto mais barata e o mesmo mais atraente ao consumidor, sobretudo através do sabor. Com isso a saúde também vai para o saco (de rabecão).

Organic food, de acordo com o site Natural-food.asia

Alimentação orgânica é o que adotou o homem e os animais domésticos e de produção desde seus surgimentos. Significa buscar na natureza o que comer e beber. Tudo feito por ela, que é quem realmente sabe como funciona o corpo humano e dos outros seres vivos e quem realmente se importa com a saúde deles. E é o que volta a adotar, exclusivamente o consumidor 3.0.

Alimento orgânico são os legumes, verduras e frutas encontrados in natura, colhidos em hortas e pomares ou em ambientes silvestres.

São os ovos botados por aves criadas fora das granjas, onde recebem as aves bastante químicos para se obter, entre outras coisas, rápida prontidão para o abate.

E de igual forma, criado o gado em sistemas de pecuária extensiva, a carne bovina, a suína e a avina.

O leite tem o consumo combatido pela ideologia. Somente o homem beberia leite de outro animal e por mais do que o tempo necessário para desamamento. Mas, aqueles que preferem continuar a consumí-lo podem fazê-lo, recebendo, no entanto, o leite de animais criados em sistemas não industriais.

Preferencialmente livremente pescada, fora de criatórios e dos famigerados "pesque e pague", a carne piscina (de peixes).

Beber água direto das fontes que não sofrem adição de elementos químicos (como cloro, flúor) que dizem purificar e adequar a água para o consumo ou extrair de frutas o suco, sem aditivar nada, são as condutas ao que se refere ao aniquilamento da sede ou ao desejo de refrescar-se com bebidas recreativas.

O sal e o açúcar devem ser absorvidos diretamente do alimento, sendo que a adição de elementos de tempero é permitida. O sal apropriado é o marinho integral (sem refinamento); o açúcar orgânico, no máximo: mascavo; e os condimentos - como coentro, orégano, alho, açafrão, colorífico (semente de urucuzeiro) - basta tirá-los dos ramos ou das raízes das plantas.

A adoção dessa volta aos tempos antigos, quando vários desses hábitos foram combatidos para gerar a substituição de consumo que culminou nos problemas salutares e econômicos que experimentamos hoje, soa como involução ou retrocesso social, mas, pode ser vista como reparo de uma evolução que não foi assertiva.

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